quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um Pequeno Ensaio Sobre Evolução - Parte 2

Embora as religiões tivessem relutado no passado para aceitar a Teoria Evolucionista, hoje, de modo geral, diante de inúmeras evidências denotando sua exatidão quanto a certos fatos, as religiões viram-se obrigadas a aceitá-la, porém o fazem com graves restrições. O centro de discordância agora é a negação da existência de Deus, por parte da Teoria. As discordâncias iniciais relativas à criação do mundo estão agora em segundo plano, passaram a ser aceitas com menos relutância, pois se considerou que tudo estava sendo interpretado muito ao pé da letra, quando deveria ser entendido o sentido figurado da Escritura Sagrada. Mas isso resolveu apenas parcialmente o problema. A existência de Deus ainda continua em xeque.

Querendo evitar o descrédito popular, os religiosos têm tido grande desconforto para explicar as suas contradições. Chegam a pisar em terreno movediço e afundam ao não encontrar um ponto de apoio racional para elucidar as questões religiosas colocadas em xeque. Não convencem ao explicar como a alma (entidade imaterial, que dizem ser criada no instante do nascimento), une-se ao corpo físico (indivíduo de outra natureza, material) e comanda suas ações. Tampouco convencem ao explicar a lógica de a alma não evolucionar na Terra como todos os seres vivos, ficando estacionária no saber obtido apenas no período compreendido entre o nascimento e a morte do ser (em uma única encarnação); portanto, não evolui.

Entre uma posição e outra (em que o Evolucionismo nega a existência de Deus, explicando o fato com argumentos científicos ainda insuficientes, e a Religião afirma sua existência, mas não arreda pé de suas interpretações religiosas incapazes de convencer o raciocínio lógico), seria natural indagarmos como, afinal, entender essa questão conciliando uma e outra parte, pois nenhuma das duas convence.

Pois bem: a resposta a essa indagação já foi feita. Se retornarmos ao tempo em que o Evolucionismo foi publicado, dois anos antes, em 1857, Allan Kardec demonstrou, utilizando-se de meios científicos registrados na introdução de O Livro Dos Espítitos, que aquilo que as religiões criacionistas chamam de espírito, é na verdade um ser extrafísico, com o qual é possível comunicar-se. Demonstrou tal fato realizando centenas de comunicações, as quais foram registradas devidamente a partir de 1854, para depois consolidá-las em um corpo doutrinário completo, ao qual deu o nome de Espiritismo ou Doutrina Espírita.

 Como decorrência das investigações, os espíritos superiores comunicaram a Kardec que "tudo na natureza se encadeia" que "o princípio inteligente se elabora" por evolução e, em seguida, "sofre uma transformação e se torna espírito humano". Comunicaram que tudo na natureza tem "pontos de contato", mas "que o homem não pode compreender ainda" (ano de1857), mas sim em outro estágio de sua evolução. Com fortes evidências racionais, deixaram claro que o espírito humano é um ser evolucionado e a causa do fenômeno, não a causa primária de tudo como é Deus; portanto, deduz-se que é passível de estudos e observações práticas, embora a ciência empregada possa ser outra, diferente da atual.

Do mesmo modo, Kardec registrou que o espírito, no início é apenas um princípio intelectual, um elemento inteligente singelo que se irradia na matéria e nela evoluciona, animando as espécies e progredindo com elas por meio de múltiplos renascimentos até chegar ao grau humano, como nos outros além da Terra. Comprovou de modo prático que o espírito quando desencarnado pode comunicar-se com o homem de diversas maneiras, as quais devem ser estudadas para a necessária compreensão.

Entretanto, a questão evolutiva do espírito, episódio integrante da Doutrina Espírita, que particularmente denominamos Teoria Evolucionista Espiritual, teria de ser retomada nos tempos seguintes, para novos desenvolvimentos. No tempo de Kardec, as atenções científicas estavam voltadas para o Evolucionismo de Darwin. Se o fato concreto era difícil de ser aceito pela mentalidade humana da época, o que se falar então de algo impalpável como o aspecto espiritual da evolução? O assunto teria de ser retomado numa época de mentalidade mais propícia, para ser desenvolvido.

De fato, houve essa retomada. Em 1958, o espírito André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos, psicografada por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, desenvolveu magnificamente o evolucionismo espiritual, alvo inicial de Kardec que se estendeu até seu último livro, A Gênese, lançado em 1868. Outros autores também retomaram o tema, enfocando novos aspectos com belíssimos trabalhos, tendo cada qual contribuído para o entendimento evolutivo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Um Pequeno Ensaio Sobre Evolução - Parte 1



A palavra Evolução pode ser definida como sendo um acontecimento progressivo de uma idéia, ocorrência ou ação. Ela expressa um movimento de avanço em que a substância passa de uma posição a outra mais elevada. Define, também, a transformação de um elemento em outro mais complexo, em que o novo torna-se sempre mais diferenciado do original.

Entretanto, em 1857, Herbert Spencer e - dois anos depois, em 1859 - Charles Darwin utilizaram a palavra evolução para definir um avanço progressivo da vida. Em decorrência disso, surgiu o termo evolucionismo, expressando uma doutrina científica denominada Teoria Evolucionista.

Darwin, nos estudos e viagens realizadas pelo mundo, reuniu uma série de argumentos e evidências contundentes, sugerindo que as espécies vivas geram outras espécies, num processo constante de transformação e progresso.

Embora fosse rejeitada de início, a Teoria ganhou enorme impulso com a adesão de notáveis cientistas da época. Foram achados fósseis da espécie humana remontando  a milhares de milênios. Houve a comprovação científica de que o homem era produto de um evolucionismo milenar, não um ser colocado pronto na Terra, como fora ensinado na Bíblia. Essa divulgação criou enorme polêmica, pois invalidava parte das Escrituras Sagradas, as quais eram tidas como verdades inquestionáveis.

O tempo e as novas descobertas encarregaram-se de demonstrar que Darwin estava certo, a ponto de hoje, em quase toda parte, a Teoria se aceita e estudada não somente nas universidades, mas nas escolas primárias, por crianças no início da formação, dada sua importância para entendimento da origem do homem em nosso planeta.

Com o passar do tempo, o grande inconveniente que a teoria trouxe foi ter retirado a figura de Deus do cenário da Criação, colocando em xeque todas as religiões criacionistas. Ela considerou que a natureza, o surgimento da vida e o desenvolvimento das espécies foram produtos de um evolucionismo  ocasional, em que a inteligência Divina não atua. A teoria fez o materialismo erguer-se com força poderosa, enquanto as religiões desabaram por terra.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Que Viemos...

Não estou bem certo a respeito dos motivos que me levaram a criar este Blog. Somente tenho a certeza de uma vontade imperiosa de fazê-lo, de escrever sobre assuntos que dizem respeito à espiritualidade e evolução dos seres...

Tenho visto tanta coisa por aí, umas boas, outras nem tanto; mas o fato é que este pretende ser antes de tudo um espaço para discussão e exercício da Espiritualidade. Longe de pretender dar a última palavra em se tratando das coisas espirituais (e também materiais), tenho como certo que o caminho da Espiritualidade possui muitas faces interessantes, as quais podemos experimentar tanto quanto possivel, para que possamos melhor nos afinizar com a Lei Maior do Amor.

Diferentemente das religiões, em que cada uma pretende ser a única forma de agradar a Deus; diferentemente de outras pessoas espiritualistas, que também querem acreditar que sua maneira de buscar o Pai é a mais correta, a Espiritualidade em nosso país é feita de diversas culturas, da fusão de muitas raças, crenças e concepções religiosas. Devemos, portanto, respeitar as diferenças pois existem inúmeras nuances e visões acerca da Espiritualidade.

É com este sentimento que convido os leitores a participar comigo desta proposta de discussão, onde todos poderão contribuir com seu ponto de vista, indistintamente de suas convicções e credos. Sem preconceitos. Sem julgamentos. Apenas pontos de discussão para um entendimento maior de nossa Espiritualidade.

"O Amor e a Verdade são antologicamente superiores às incompreensões humanas"